Desde 28 de Junho de 2024, com a entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 41-A/2024, a manifestação de interesse genérica deixou de existir. Já não é possível entrar em Portugal como turista e depois regularizar-se localmente sem visto prévio — incluindo os cidadãos da CPLP, que ao contrário do que sucedia antes de 2024 também precisam de visto consular adequado antes da viagem. As exceções limitam-se a casos específicos como o reagrupamento familiar com residente legal ou o estudo ao abrigo do artigo 91.º/92.º.
Este guia explica, com clareza e tom prático, as vias legais que continuam abertas em 2026, os documentos exigidos, os custos actualizados e os prazos realistas de cada caminho.
O que mudou em 2026
- As taxas AIMA foram atualizadas a 1 de março de 2026 — veja o resumo de custos mais abaixo.
- O salário mínimo nacional subiu para €920 (DL n.º 139/2025) — é a base do cálculo dos meios de subsistência.
- O IRS passou a ter 9 escalões (Lei n.º 73-A/2025), relevante para quem já trabalha em Portugal.
Vias legais para residir em Portugal em 2026
Existem essencialmente cinco caminhos formais para obter autorização de residência (AR) em Portugal: visto nacional D (D1 a D8), regime CPLP, reagrupamento familiar, visto de estudo (artigo 91.º/92.º), e situações humanitárias.
Vistos D — pedidos no consulado antes da viagem
Os vistos D são pedidos no consulado de Portugal no país de origem e devem ser obtidos antes da entrada. Cobrem trabalho ([D1](/pilares/visto-d1-trabalho-portugal) e [D3](/pilares/visto-d3-altamente-qualificado)), empreendedorismo (D2), rendimentos passivos (D7), nómadas digitais (D8) e estudo (D4). Custos e prazos no resumo mais abaixo.
Regime CPLP — cidadãos lusófonos
Para cidadãos do Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, o [regime CPLP](/pilares/visto-cplp-portugal-2026) (Lei n.º 9/2023) continua a ser o processo mais ágil — com visto consular prévio, como todas as vias desde 2024.
Vantagem importante: a emissão da autorização de residência ao abrigo do Acordo de Mobilidade tem taxa reduzida face à via geral — veja o resumo de custos mais abaixo.
Reagrupamento familiar
Familiares directos de residente legal podem pedir autorização ao abrigo do [reagrupamento familiar](/pilares/reagrupamento-familiar-portugal) (artigo 98.º) sem necessidade de visto autónomo, mediante prova de meios e alojamento.
As cinco vias lado a lado
A tabela resume quem usa cada via, onde o processo começa e o custo de referência em 2026:
Documentos essenciais para qualquer pedido
- Passaporte válido (mínimo 6 meses além da data de regresso prevista).
- Registo criminal do país de origem, apostilado e traduzido.
- Comprovativo de meios de subsistência (extractos bancários, contrato de trabalho ou rendimento mensal).
- Comprovativo de alojamento em Portugal (contrato, hospedagem formal ou declaração).
- Seguro de saúde internacional válido para o período inicial.
- Atestado médico (alguns vistos exigem).
Custos e prazos em resumo
Três números resumem o custo de um processo típico em 2026 — a [tabela completa de taxas está no guia da AIMA](/pilares/aima-portugal-guia-completo). Se ainda está no país de origem a preparar a mudança, o percurso [Rumo a Portugal](/planejamento) organiza estas etapas — documentos, custos e prazos — num plano acompanhado:
- Visto consular (CPLP ou visto D): €110, com análise média de 30 a 90 dias.
- Via geral AIMA: €133 de receção e análise + €307,20 de concessão ou renovação da AR temporária (permanente: €351,10).
- Regime CPLP (Acordo de Mobilidade): €79,10 de impressos e título de residência.
Erros comuns que invalidam o processo
- Apostilar documentos só depois de chegar a Portugal — a apostila de Haia faz-se no país de origem.
- Pedir o visto errado para o perfil — por exemplo, D7 para quem trabalha remotamente, em vez de D8.
- Apresentar registo criminal ou certidões emitidos há mais de 6 meses.
- Deixar o seguro de saúde para o fim — o pedido pode ser recusado sem cobertura válida desde a entrada.
- Somar as taxas por estimativa — use a [calculadora de custos](/calculadora) para saber o total do seu processo.